Asma
Asma controlada não é asma sem tratamento
É comum interromper a bombinha de manutenção quando os sintomas desaparecem. O raciocínio parece lógico, mas a asma é uma doença inflamatória: o remédio preventivo age sobre a inflamação dos brônquios, que continua presente mesmo em dias bons. Sentir-se bem é, em grande parte, resultado do tratamento — não sinal de que ele deixou de ser necessário.
Asma controlada significa poucos sintomas diurnos, sono sem interrupção por falta de ar, nenhuma limitação nas atividades habituais e uso raro da bombinha de alívio. Quando o alívio passa a ser usado várias vezes por semana, o controle está insuficiente — e o caminho é reavaliar o tratamento, não aumentar o resgate por conta própria.
A dose correta pode ser reduzida com o tempo, mas essa redução é planejada em consulta, com o controle documentado. Suspender sozinho é o motivo mais frequente de crise evitável.
DPOC
Por que a espirometria é indispensável no diagnóstico de DPOC
Falta de ar, tosse com catarro e história de tabagismo levantam a suspeita de doença pulmonar obstrutiva crônica, mas não fecham o diagnóstico. Sintomas semelhantes aparecem na asma, na insuficiência cardíaca, nas bronquiectasias e no descondicionamento físico — cada um com tratamento diferente.
A espirometria mede o ar que sai do pulmão e a velocidade com que sai. É esse registro que demonstra a obstrução das vias aéreas e mostra se ela persiste após o broncodilatador, característica que define a DPOC. O exame também quantifica a gravidade, o que orienta a escolha do tratamento e permite acompanhar a evolução ao longo dos anos.
Na prática, é o exame que separa o tratamento certo do tratamento aproximado — e leva cerca de quinze minutos.
Tosse
Tosse crônica: quando parar de esperar que passe
A tosse de uma virose costuma ceder em até três semanas. Quando passa de oito semanas, é chamada de crônica e merece investigação — não porque seja necessariamente grave, mas porque tem causa identificável na maioria dos casos.
As causas mais frequentes em adultos que não fumam são poucas e conhecidas: gotejamento nasal posterior por rinite, asma em sua forma tosse-predominante, refluxo gastroesofágico e o uso de certos anti-hipertensivos. Em quem fuma ou fumou, o leque se amplia e a investigação por imagem ganha peso.
Sinais que pedem avaliação sem espera: sangue no escarro, perda de peso, febre persistente, falta de ar progressiva, rouquidão que não melhora ou alteração em exame de imagem. Xaropes de uso contínuo apenas mascaram o sintoma enquanto a causa segue sem tratamento.